terça-feira, 28 de julho de 2015

INTELECTUAIS E ESCRITORES: SUA FUNÇÃO PÚBLICA

Este artigo foi anteriormente publicado no Jornal Tribuna de Tangará. Segue, abaixo, a referência:

SOUSA, Maria da Conceição Jose de. Intelectuais e escritores: sua função pública. Tribuna de Tangará. Tangará da Serra, 22 jul., 2015. p.02-02.


Maria da Conceição José de Sousa

        Ao falarmos as palavras escritores e intelectuais, talvez, os imaginamos como seres distintos ou intimamente ligados, já que uma pessoa pode ser intelectual e escritor. Escritor é aquele que produz obras literárias ou científicas, enquanto, intelectual é aquele que domina um campo de conhecimento intelectual ou que tem muita cultura geral, erudito.
         Mas, afinal qual é a função dos escritores e intelectuais? Cada vez mais, escritores e intelectuais assumem os atributos de usarem seus textos como forma de propagarem seus ideais, testemunhos e verdades diante das opressões as quais a sociedade sofre. Nesse sentido, podemos delegar a ambos o mesmo papel. “Devemos nos concentrar naquilo que escritores e intelectuais tem em comum quando intervém na esfera pública.” (SAID, 2003, p. 31).
       Vivemos a era da mídia eletrônica, assim, escritores e intelectuais devem repensar seus discursos. A velocidade da mídia eletrônica facilita aos escritores alcançarem milhões de leitores, entretanto, “a rapidez é uma faca de dois gumes” (SAID, 2003, p.33), há consequências e riscos de se escrever nesse amplo espaço, uma delas é a dificuldade de relação entre o autor e o seu púbico, é quase improvável um escritor conseguir traçar um perfil para o seu público, outra consequência seria o risco de se escrever um texto neutro. Segundo Edward Said:

Mas escrever neste espaço expandido tem, sim uma outra e inusitadamente arriscada consequência: ser incentivado a dizer coisas que são ou completamente opacas ou completamente transparentes (e se temos qualquer consciência do intelectual ou vocação política, deverá ser, é claro, o segundo caso e não o primeiro). (SAID, 2003, p. 33).

            Dessa forma, escritores e intelectuais deixariam de exercer um dos seus principais papéis, que ainda, conforme Said, é “elucidar a disputa, desafiar e derrotar tanto o silêncio imposto quanto o silêncio conformado do poder invisível” (SAID, 2003, p. 35). Escritores e intelectuais não podem e nem devem curvar-se diante do “poder simbólico” (termo utilizado por Pierre Bourdieu), mesmo que esteja em toda parte (crença, política, cultura, etc).
            Infelizmente, de um lado temos uma sociedade dominada por uma minoria que retém o poder de imagens e notícias; do outro lado, temos intelectuais “isolados” fisicamente ou em pequenos grupos lutando contra a monstruosa máquina da mídia dominante. Mesmo assim, escritores e intelectuais não podem calar-se defronte do acúmulo de poder que distorcem a vida humana. Não temos a solução para a quebra dessa máquina, porém, não podemos dar-nos como vencidos. Devemos oportunizar alternativas de leituras para uma elucidação da sociedade. “É aqui que o intelectual coletivo pode desempenhar um papel insubstituível, ajudando a criar as condições sociais para a produção coletiva de utopias realistas”. (SAID, 2003, p. 37).

Referências
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 13ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010.
SAID, W. Edward. Cultura e Política. São Paulo: Boitempo Editorial, 2003.



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