sexta-feira, 14 de novembro de 2014

MAS O QUE É LITERATURA DE CORDEL?

Este artigo foi anteriormente publicado no Jornal Tribuna de Tangará. Segue a referência abaixo:

BRITO, Geni Mendes de. Mas o que é Literatura de Cordel? Tribuna de Tangará (ISSN 23577541), Tangará da Serra, 18 set. 2013, p.06.

Geni Mendes de Brito


Literatura de cordel é um gênero literário popular, escrito frequentemente na forma rimada, também conhecida no Brasil como folheto, uma vez que é impresso em folhetos como desenhos e clichês zincografados (impressão com lâminas de zinco) ou xilografados (técnica de gravura em madeira), também usadas nas capas.
Remonta ao século XVI, quando o Renascimento popularizou a impressão de relatos orais feitos pelos trovadores medievais e desenvolve-se até a Idade Contemporânea. Mantém-se uma forma literária popular no Brasil. Ganhou este nome em Portugal, porque tais produções eram expostas ao povo, também para comercialização, amarrados em cordões, estendidos em pequenas lojas de mercados populares ou até mesmo nas ruas. Inicialmente, os cordéis, também continham peças de teatro, como as de Gil Vicente (1465-1536).
Foram os portugueses que transplantaram os cordéis no Brasil, instalando-se primeiramente na Bahia e mais precisamente em Salvador, por conta de ter sido a primeira capital da nação e ponto de convergência natural de todas as culturas. Dali se irradiou para os demais estados do Nordeste onde ganhou sua conhecida tipicidade: Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Hoje também se faz presente nos demais estados da federação como Rio de Janeiro, Minas e São Paulo. A tradição do barbante não se perpetuou: o folheto brasileiro pode ou não estar exposto em barbantes. O cordel hoje é vendido em feiras culturais, casas de cultura, livrarias e nas apresentações dos cordelistas.
As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores. Para reunir os expoentes deste gênero literário típico do Brasil foi fundada em 1988 a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, com sede no Rio de Janeiro.
Na segunda metade do século XIX começaram as impressões de folhetos brasileiros, com suas características próprias. Os temas incluem fatos do cotidiano, episódios históricos, lendas, temas religiosos, entre muitos outros. As façanhas do cangaceiro Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, 1900-1938) e o suicídio do presidente Getúlio Vargas (1883-1954) são alguns dos assuntos de cordéis que tiveram maior tiragem no passado. Não há limite para a criação de temas dos folhetos. Praticamente todo e qualquer assunto pode virar cordel nas mãos de um poeta competente.
Os poetas Leandro Gomes de Barros (1865-1918) e João Martins de Athayde (1880-1959) estão entre os principais autores do passado.

A Literatura de Cordel surge como meio incentivador para o ensino de literatura. Trata-se de um veículo de fabuloso fomento à identidade regional, foi por muitos anos a principal forma de veiculação de notícias em vários Estados do Brasil, principalmente no Nordeste. Manifestação artística viva em sintonia estreita com visão popular, a Literatura de Cordel oferece aos pesquisadores um espaço sempre aberto de reflexão sobre uma maneira peculiar, por vezes contraditória, mas não menos preciosa, de se pensar o mundo e de afirmar a identidade, traçando caminhos de subversão e de liberdade, protesto, convertendo o espaço poético numa arena de luta.

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